sábado, 16 de julho de 2011

Perca um segundo, Eu perco horas.

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Continue remexendo em minhas entranhas a ponto de fazer sentir-me revivendo toda a tristeza sentida outrora.
Continue esfregando em minha face mesmo que inconsciente que é tão fácil sua permanência longe de mim.
Continue fazendo de meu espírito seu prêmio como se estampado em uma foto em cima da mesa da sala como uma caça bem sucedida.
Continue tornando-me demente de remorso crendo em recuperar algo em algum lugar esquecendo de andar para frente.
Eu continuo te dizendo adeus, mas você não se vai.
Tranco-me num cômodo, fecho as portas, as janelas, desligam-se os telefones e me cubro com o silêncio e tento pegar no sono em vão.
Teria eu que me isolar de mim mesmo, afastar meu peito de minha cabeça de meus braços e minhas pernas, afastar os cotovelos das dores, os fios de cabelo da luz do olhar, mas mesmo assim não adiantaria, porque estas dentro de cada centímetro de carne, debaixo de minha pele correndo por minhas veias. Falar dos pensamentos seria perda de tempo.
Faça do calor dessa sua terra nova a energia que precisa para ludibriar os obstáculos, mas pelo menos tente perder alguns segundos de seu dia ou da noite e tenha uma vaga lembrança, afinal já se foram tantos os dias e logo completará um ciclo inteiro.
Perca um segundo, eu perco horas.
E eu? Eu continuo te dizendo adeus, mas você não se vai.

Bento.

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